Pesquisa revela que 62% dos eleitores são contra a criação do Carajás e 61% se opõem ao Tapajós

A 16 dias da realização do plebiscito que vai consultar a população sobre a proposta de criação de dois novos Estados – Tapajós e Carajás – o instituto de pesquisas Datafolha divulgou, na noite de ontem, mais uma pesquisa de intenção de votos para o plebiscito de 11 de dezembro. A pesquisa entre os eleitores confirmou que a maioria da população do Estado do Pará não quer a criação de Carajás e Tapajós, registrando um aumento na rejeição em relação à primeira pesquisa, divulgada há duas semanas.

Segundo o Datafolha, 62% dos eleitores são contra o desmembramento do Pará para a criação do Estado de Carajás – índice superior ao registrado na pesquisa anterior, onde 58% rejeitavam a divisão. O percentual de eleitores que quer a criação do novo Estado caiu de 33% para 31%, e 7% ainda estão indecisos. Situação parecida foi verificada em relação ao Tapajós: 61% do eleitorado do Pará se posicionam contrário ao surgimento do Estado – na pesquisa anterior, eram 58%.

O percentual dos favoráveis ao Tapajós caiu: apenas 30% se dizem a favor da criação do novo Estado, 3% a menos que na outra consulta. Nesse caso, 9% ainda não sabem como irão votar. A margem de erro para o total da amostra é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A segunda pesquisa do Datafolha foi encomendada ao instituto pela TV Liberal, TV Tapajós e jornal Folha de São Paulo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 50287/2011. Foram ouvidos 1.015 eleitores de 46 municípios do Pará maiores de 16 anos e pertencentes a diversos perfis sociais e econômicos. O levantamento durou três dias e foi realizado entre 21 e 24 de novembro. A primeira pesquisa foi divulgada no dia 11 de novembro.

Um dos dados que chamam a atenção no novo levantamento é a queda no apoio à divisão do Pará por parte da população que vive nas regiões onde ficariam os novos Estados de Carajás e Tapajós. Entre os eleitores que vivem na região onde seria Carajás, por exemplo, 84% da população apoiavam a criação do Estado na primeira pesquisa, índice que caiu para 78% no novo levantamento. Situação semelhante ocorreu no caso de Tapajós: 74% da população que vive naquela região se posicionaram a favor da criação do novo Estado desta vez, sendo que na pesquisa anterior os favoráveis eram 77%.

Na região onde ficaria o novo Pará, a tendência de rejeição ao desmembramento do Estado se manteve alta. Segundo o Datafolha, 84% dos que residem onde ficaria o novo Pará rejeitam a criação do Tapajós e apenas 8% são favoráveis. O quadro se repete em relação a Carajás: 85% dos eleitores do que seria o Pará remanescente refutam a criação do novo Estado, enquanto que apenas 9% se dizem a favor da mudança. O quadro já havia sido sinalizado na pesquisa anterior.

Frentes destacam dificuldades e riquezas

A propaganda eleitoral gratuita na televisão foi aberta, ontem, pela Frente Pró-Carajás, que voltou a falar sobre as dificuldades vividas pelas pessoas que residem nos municípios onde ficariam os novos Estados.

A frente destacou que falta saneamento básico, água encanada, atendimento médico, estradas pavimentadas etc. O programa exibiu imagens da cidade de Faro, que não tem ruas asfaltadas e o deslocamento até Belém só pode ser feito de barco, em viagem que dura até cinco dias e com passagem ao custo de R$ 500,00. No programa da frente Pró-Carajás, moradores de algumas localidades falaram das dificuldades enfrentadas, sobretudo para marcar uma consulta médica.

O programa da Frente Contra Carajás voltou a destacar as riquezas das regiões de Carajás e do Tapajós, das quais o Estado do Pará depende para continuar se desenvolvendo e se transformar no segundo maior Estado produtor de energia do País, com a implantação da usina hidrelétrica de Belo Monte, além de outras sete previstas para serem construídas no Pará nos próximos anos.

De acordo com a Frente Contra Carajás, quem está pedindo a divisão é porque não gosta do Pará. O programa destacou que em Alter do Chão existe uma das maiores fontes de água potável; pesquisas indicam a existência de um aquífero com cerca de 86 mil metros quadrados de água de boa qualidade, além da matriz energética da região que deverá fazer o Pará saltar em desenvolvimento, com geração de cerca de 40 mil novos empregos só com a construção de Belo Monte, que beneficiará cerca de 11 municípios da região. Pondera ainda a Frente Contra Carajás que o desenvolvimento só será possível e beneficiará a todos com o Pará unido. O horário eleitoral gratuito de hoje será aberto pela Frente Pró Tapajós e, na segunda-feira, pela Frente Contra Carajás.

Aumenta o conhecimento sobre o plebiscito entre a população

A pesquisa Datafolha revelou que, após o início da campanha eleitoral na rádio e TV, aumentou entre a população do Pará o nível de conhecimento sobre o plebiscito. Na pesquisa anterior, 92% dos eleitores afirmaram ter conhecimento do assunto, índice que subiu para 96% nesta pesquisa. Entre os que dizem ter conhecimento sobre o plebiscito, 33% afirmam estar bem informados (na pesquisa anterior eram 19%). Os que se declaram mais ou menos informados são 45%, e os mal informados, 19%.

Na região onde seria o Estado de Tapajós, o nível de conhecimento sobre o plebiscito subiu de 90% para 98% entre as duas pesquisas. Antes da campanha eleitoral, 18% da população daquela região se declararam bem informados, percentual que saltou para 29%. O nível de conhecimento sobre o plebiscito aumenta conforme o nível de escolaridade: entre os entrevistados com nível fundamental, 91% disseram saber da realização do plebiscito, enquanto 100% dos entrevistados com nível superior afirmaram ter tomado conhecimento do assunto.

Número – Segundo o Datafolha, subiu a taxa de conhecimento sobre o número a ser digitado na urna eletrônica. Na pesquisa anterior, 20% sabiam em como votar para apoiar ou rejeitar a criação de Carajás. Neste levantamento, o índice de conhecimento do número é de 60%. A fatia dos que não sabem o número, em tendência contrária, caiu pela metade (de 77% para 38%). Também aumentou, no caso de Tapajós, o conhecimento do número a ser digitado na urna para apoiar ou rejeitar a criação do Estado. No início de novembro, as citações corretas do número ficavam em 17%, taxa que foi a 54% no atual levantamento. Ainda não sabem o número a ser digitado 44% (eram 80% na pesquisa anterior).

Urnas – A pesquisa revelou que maioria dos paraenses irá às urnas no próximo dia 11. Do total de entrevistados, 92% dos entrevistados garantiram que irão votar no plebiscito, enquanto 7% responderam “talvez”. Apenas 1% disse que certamente não irá votar. Na região onde ficaria o Estado de Tapajós, 96% dos entrevistados irão votar, frente aos 91% que afirmaram o mesmo na pesquisa passada.

Programa é visto pela maioria. avaliação tem sido positiva.

A pesquisa Datafolha consultou a população paraense sobre o programa eleitoral do plebiscito, que começou em 11 de novembro. Segundo os dados da pesquisa, a maioria dos eleitores (65%) afirma ter assistido ou ouvido, mesmo que parcialmente, as propagandas das frentes contrárias e a favor da divisão do Pará, enquanto 35% dizem não ter visto. O índice de audiência dos programas eleitorais ficou acima da média na região do Tapajós, onde 73% dos entrevistados afirmaram assistir aos programas.

A avaliação das propagandas é, em geral, positiva, e os índices de aprovação são parecidos. O programa eleitoral mais bem avaliado foi o da frente Não Carajás, classificado como ótimo ou bom por 41% dos entrevistados, como regular por 26%, e ruim ou péssimo por 20%. O programa da frente de apoio à criação do Estado é avaliado como ótimo ou bom por 38%, como regular por 28%, e ruim ou péssimo por 26%. Para o Tapajós, a propaganda eletrônica da frente favorável ao novo Estado é avaliada como ótima ou boa por 34%, como regular por 27%, e ruim ou péssima por 26%. A frente que faz propaganda contra a criação de Tapajós tem seus programas avaliados como ótimos ou bons por 39%, como regulares por 25%, e ruins ou péssimos por 21%.

Analisando apenas as regiões onde ficariam os novos Estados, o quadro muda. Na área onde seria o novo Carajás a propaganda da frente favorável à criação do Estado é vista como ótima ou boa por 66%, e o da frente contrária, por 28%. A maioria (67%) dos paraenses que vive onde seria o Tapajós avalia a propaganda favorável à sua criação como ótimo ou bom.

Fonte: Amazônia Jornal/Caderno Cidades/ Pará

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