Estados Unidos: padre que havia negado comunhão a lésbica é suspenso

Suspenso. Ou, melhor, como recita a fria prosa do jargão burocrático eclesiástico, “em licença administrativa” até que as investigações sejam concluídas e a confusão gerada na paróquia por causa do seu “comportamento intimidatório” volte ao normal.

A reportagem é de Mauro Pianta, publicada no sítio Vatican Insider, 12-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Está pendente sobre essas poucas linhas escritas por Dom Barry C. Knestout, vigário-geral da Arquidiocese de Washington, o destino do padre Marcel Guarnizo, o vigário paroquial da paróquia São João Neumann (Gaithersbur, em Maryland), que, no dia 25 de fevereiro passado, negou a comunhão a uma lésbica durante o funeral da própria mãe.

Quando Barbara Johnson, nas exéquias da mãe, se aproximou do sacerdote para receber a Eucaristia, viu o religioso cobrir o cibório contendo as hóstias e teria ouvido estas palavras: “Não posso lhe dar a comunhão, porque você vive com uma mulher, e isso, segundo o que a Igreja ensina, é pecado”. Antes da cerimônia, Johnson havia apresentado a sua parceira ao celebrante.

A poucos dias da aprovação da normativa que legaliza o casamento homossexual no Estado de Maryland (procedimento que entrará em vigor em 2013), o episódio causou clamor nos jornais e na Internet. A mulher, uma artista de 51 anos, recebeu um pedido de desculpas da arquidiocese, desculpas em que se fazia referência à falta de “gentileza” e de “sensibilidade pastoral” do padre.

Mas não foi suficiente. Segundo a Associated Press, Barbara Johnson pediu o “licenciamento” do sacerdote, declarando: “Só assim, no futuro, ele não terá a possibilidade de infligir uma dor tão grande a outras famílias”. E, no último dia 9 de março, o Washington Post publicou uma carta da arquidiocese com a qual o Pe. Guarnizo, natural do norte da Virgínia e com um ministério vivido em grande parte entre a Rússia e a Europa Oriental, era suspenso.

Em uma primeira nota emitida pela arquidiocese depois do fato, afirmava-se: “Quando surgem dúvidas sobre se uma pessoa deve ou não receber a comunhão, a nossa política não é a de criticar publicamente a pessoa. As questões relativas à idoneidade de um fiel para receber a Eucaristia devem ser abordadas pelo sacerdote em âmbito privado”.

A nota também lembrava, no entanto, que quem recebe a comunhão deve estar em “estado de graça”. “Se uma pessoa está consciente de ter cometido um pecado grave, não pode receber a comunhão antes de ter se confessado e reconciliado”.

Enquanto isso, muitos blogueiros locais, também católicos, lançaram uma campanha de boicote às doações em favor da Arquidiocese de Washington. E não para por aí. A Catholic News Agency, agência dos bispos norte-americanos, informou que Barbara Johnson seria, na realidade, budista. “No site da escola de arte por ela fundada – observa a CNA –, diz-se que essa instituição se inspira na filosofia budista. Em um artigo recente – continua a agência – publicado online para o programa de mestrado na Kutzown University, Johnson também se identifica como budista”. A história, com toda a probabilidade, vai continuar.

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