Não às migalhas, mentiras e ilusões da Norte Energia e do Governo Federal

Primeiro capturaram, violentaram e escravizaram os índios da Amazônia. Após um século de heróica resistência, o destino da maioria foi trabalhar como escravo das elites portuguesas e de seus representantes. Felizmente, a força espiritual de guerreiros e guerreiras manteve viva a esperança por liberdade, e dignidade.

Logo começaram a explorar, quase exaurindo, nossas castanheiras, nossas seringueiras, nossas riquezas vegetais, nossa floresta enfim. Latifúndio, capim, gado, trabalho escravo, pistoleiro, fazendeiro, madeireiro, grileiro, agronegócio, assassinatos, são palavras que expressam essa triste situação.

Depois começaram a violar o solo. Imensos buracos foram feitos para extrair riquezas minerais. Miséria, pobreza, prostituição, destruição, violência contra os povos do campo e da cidade, contra a mãe-terra, transformou-se na dura realidade amazônica.

Os senhores do “desenvolvimento”, donos do mundo, agora exigem a força de nossos rios. Grandes paredões de concreto matam as águas que antes levavam vida. Tucuruí, Curuá-una, Balbina, Samuel, Estreito, Teles Pires, Madeira, Tapajós, Marabá, Santa Izabel, etc. Belo Monte é um símbolo.

Os movimentos articulados em torno da luta contra as barragens na Amazônia sempre entenderam que o Brasil não precisa do sacrifício deste povo, e desta região. Quem exige este sacrifico são as grandes indústrias, empresas eletro-intensivas, mineradoras, empreiteiras, algumas delas figurando como as campeãs quando se fala de desrespeito aos direitos humanos e ambientais no planeta. Empresas cujos donos figuram sorridentes nas listas dos maiores bilionários do mundo.

Somos organizações que nos últimos anos têm se empenhado arduamente a mostrar a sociedade o quão desastroso será para os povos da região a construção da barragem de Belo Monte, no rio Xingu. Os malefícios trazidos por essa obra hoje já se fazem sentir na cidade de Altamira.

Muito se tem feito nesses anos, atos e ocupações em Belém, seminários e ocupações em Altamira. Denúncias a juízes que, nos últimos tempos, tomam decisões políticas contra os interesses dos povos da Amazônia. Todas as instâncias legais possíveis já foram acionadas. Em todas temos saído vitoriosos, mas o governo prossegue com sua sanha voraz de servir às corporações e destruir o Xingu.

Em todos os momentos reafirmamos que esta obra é o fim deste rio, é a consolidação da espoliação de um povo. Expropriação tão grande quanto aquela realizada pelos colonizadores, cinco séculos atrás. A diferença é que agora tudo pode ser assistido pela TV, ou pela Internet.

Os recursos públicos destinados para essa obra deveriam ser aplicados em moradias populares, saúde e educação, e não para agredir a natureza e os povos originários e tradicionais da Amazônia.

É por tudo isso que bradamos enfaticamente, SOMOS CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE. Coerentemente com essa posição afirmamos, NÃO NEGOCIAMOS CONDICIONANTES OU MITIGAÇÃO.

Chamamos, neste manifesto, as organizações sérias e combativas a não aceitarem as migalhas, mentiras e ilusões do Governo Federal e da Norte Energia. A não aceitarem discutir condicionantes ou mitigação, pois essa é a estratégia para enfiar Belo Monte “goela abaixo” dos povos do Xingu. Armadilha traiçoeira para cooptar organizações que, de fato, já estão derrotadas.

Organizar, resistir, lutar. Estas devem ser nossas palavras de ordem. A força e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, devem ser o nosso alimento. Barrar Belo Monte deve ser a nossa obstinação.

Belém, 15 de março de 2012

Assinam este manifesto:
– Associação Indígena Tembé de Santa Maria do Pará (AITESAMPA)
– Comissão Pastora da Terra (CPT/PA)
– Comitê Dorothy
– Companhia Papo Show
– Juntos! Coletivo de Juventude
– Central Sindical e Popular CONLUTAS
– Diretório Central dos Estudantes da UFPA
– Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC)
– Diretório Central dos Estudantes da UNAMA
– Instituto Universidade Popular (UNIPOP)
– Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)
– Fundação Tocaia (FunTocaia)
– Conselho Indigenista Missionário Regional Norte II (CIMI)
– Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)
– TÔ! Coletivo – Coletivo de Juventude
– Fórum Social Pan-amazônico (FSPA)
– Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA)
– Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS)
– Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Estado do Pará (MMCC-PA)
– Movimento Luta de Classes (MLC)
– Associação Sindical Unidos Pra Lutar
– Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura
– Movimento Hip-Hop da Floresta (MHF/NRP)
– Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
– Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA)
– Diretório Central dos Estudantes da UEPA
– Partido Comunista Revolucionário (PCR)
– Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)
– Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA)
– Movimento Estudantil Vamos à Luta
– Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN)
– Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)
– Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará (SINDIAMBIENTAL)
– Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (SINTRAM)
– Vegetarianos em Movimento (VEM)
– Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL)
– Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA)
– Pastorais Sociais Ampliadas da Diocese de Marabá
– Associação Indígena Te Mempapytarkate Akrãtikatêjê da Montanha
– Movimento Xingu Vivo Para Sempre
– Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade
– Movimento Negro da Transamazônica e Xingu,
– Movimento de Mulheres Campo e Cidade Regional Transamazônica e Xingu
– Mutirão Pela Cidadania
– Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua
– Partido Comunista Brasileiro (PCB)
– Sintepp
– Sintprevs
– MLP – Movimento de luta popular/PA
– Círculo Palmarino/PA
– Intersindical

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