BELÉM 400 ANOS | POR UMA BELÉM SOLIDÁRIA E FELIZ!

[Belém nas mãos do povo]

Seminário "Belém, 400 anos"

Retirar a cidade do abandono e transformá-la em um espaço de solidariedade. Este foi o clamor das cerca de 500 pessoas que se reuniram, nesta terça-feira, 17, para discutir o futuro de Belém. O seminário “Belém 400 anos: qual cidade que queremos?” reuniu no auditório do Hotel Sagres, em São Brás, representantes de vários segmentos sociais e políticos, que estão comprometidos com a construção de uma cidade melhor, que seja um espaço de solidariedade e felicidade.

A doutora em Geografia pela Universidade de Paris I (1975) e professora titular aposentada da USP, Maria Adélia de Souza foi a palestrante principal do evento, que também teve a participação do deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSol) e do psicólogo Dalci Carlos da Silva, que atua há cerca de três décadas no Ver-o-Peso.

O movimento ‘Belém nas mãos do povo’, organizador do evento, reuniu no mesmo espaço pessoas de diversas entidades da sociedade civil e de diversos partidos políticos, além de pesquisadores e técnicos de universidades e de comunidades de toda a capital. A emoção esteve presente na fala de todos que se manifestaram, clamando pela retomada da cidade pelo povo, a exemplo do que ocorreu na experiência do Governo do Povo, que teve a frente Edmilson Rodrigues, que governou Belém por dois mandatos (1997-2004). “Eu faço parte desse movimento como cidadão, deputado estadual e como um apaixonado pela cidade. Podem contar comigo porque sempre trabalharei para que essa cidade seja um lugar de construção de felicidade”, disse Edmilson.

A professora Maria Adélia de Souza destacou que a história tupinambá pode e deve atribuir a Belém o codinome de ‘Dignidade da Amazônia’. “Belém é altiva, garbosa, imponente, digna. É um privilégio estar aqui com vocês pensando sobre essa metrópole. Uma paulista como eu se atreve estar aqui porque sou uma estudiosa do país e porque já orientei três paraenses, dos quais me orgulho muito, dentre eles Edmilson Rodrigues”, disse a pesquisadora, destacando que ‘essas imensidões urbanas, que chamamos de metrópole, esse mundo globalizado, regido pela técnica e tecnologia, é uma faca de dois gumes: tem salvo vidas e feito o mundo se aproximar, mas por outro lado trazem com elas a sua outra cara’. “Porque essas metrópoles exigem um aperfeiçoamento no cotidiano do seu conhecimento e poucos conseguem acompanhá-la. Isso gera um processo de segregação espacial porque o mundo hoje é regido pela política e não pela economia. Por isso, precisamos ter políticos que conheçam bem essa realidade e que sejam otimistas e que trabalhem para a construção dessas metrópoles como lugares de solidariedade”, ressaltou a pesquisadora, que leu um trecho de uma poesia de Pablo Neruda em homenagem ao deputado, que diz: “Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir”.

O violonista Salomão Habib fez uma apresentação emocionante no seminário e destacou a importância da preservação da cultura indígena e regional, ao executar músicas que fazem referência a esses aspectos culturais. O psicólogo Dalci Carlos da Silva, que atua há cerca de 30 anos no Ver-o-Peso disse que sua vida está enraizada naquele espaço e que fica triste ao ver o nível de abandono daquele que é o maior cartão postal de Belém. “Moro na rodovia Augusto Montenegro e todos os dias atravesso a cidade para ir trabalhar no Ver-o-Peso, onde tenho uma banca. Fico muito triste ao ver o abandono que tomou conta daquele espaço. Na verdade, o abandono pode ser visto em todo a cidade, no trajeto que percorro, diariamente. Por isso, é preciso que nós, o povo, retomemos a cidade de volta e construamos políticas públicas que resgatem a sua cultura e a sua história, porque isso pertence ao povo, Por isso, queremos Edmilson Rodrigues de volta à prefeitura porque tínhamos um governo que dialogava com o povo”, concluiu Dalci, que participou ativamente do Orçamento Participativo e do Congresso da Cidade, fóruns de debate e de construção de políticas públicas inclusivas para Belém.

BELÉM NAS MÃOS DO POVO | MOVIMENTO REÚNE DIVERSOS SEGMENTOS SOCIAIS E POLÍTICOS. VEJA O QUE DIZEM ALGUNS DOS PARTICIPANTES:

Francisco Vasconcelos (Chico Vaz)

(Coordenador do Comitê de Artistas e Jornalistas na luta contra a Aids – Arte pela Vida)

Francisco Vasconcelos (Chico Vaz)
Esse evento é de suma importância porque dentro dessa área da saúde o que se vê é um verdadeiro caos. Temos que pensar na qualidade de vida dessas pessoas infectadas pela Aids. Faltam leitos, medicação para doenças oportunistas e há também a falta de uma política de saúde pra quem vive com HIV/Aids. Para nós, no momento, o que se vive é um caos, com desvio de dinheiro para outros fins. E, aqui, nesse seminário, vai surgir propostas interessantes para aquilo que a gente quer pra que essa seja uma cidade feliz.

Beto Paes (Coordenador do Movimento LGBT do Pará)

Para nós é extremamente importante porque será um espaço para colocar nossas propostas. Belém vive um momento apático em relação à diversidade sexual porque não existe nenhum espaço voltado para tratar essa questão. Não há um centro de referência ou uma coordenadoria de proteção à livre orientação sexual, que pudesse acolher as demandas da sociedade, inclusive denúncias referentes a preconceito e discriminações. Hoje, a gente vê um cenário bastante homofóbico, mas não temos nenhum espaço pra acolher essas denúncias de violação de direitos. Achamos que é importante Belém ter uma coordenadoria municipal da diversidade sexual, que possa trabalhar a interface dos direitos LGBT com as demais secretarias do município.

Herlander Silvio (Médico do setor público e privado)

Acho que esse evento vai realmente formatar as políticas públicas que Belém não tem. A cidade fica fora desse contexto de saúde pública pra atender a população, principalmente, a menos favorecida. Um evento como esse vai possibilitar a formatação de políticas públicas para a saúde. A falta de uma administração comprometida com a saúde, principalmente dos mais excluídos, e de valorização do profissional de saúde tem levado o setor ao caos. Precisamos de uma descentralização do atendimento em Belém, fazendo com que a atenção básica à saúde realmente funcione com seus programas de saúde. Hoje, o paciente termina não sendo atendido porque faltam profissionais que hoje não querem mais trabalhar por esses salários aviltantes.

Jorge Panzera (Presidente estadual do PC do B).

Acho que é muito importante repensar a cidade de Belém. Estamos entrando nos últimos anos do quarto século da cidade e a gente enxerga ela cada vez mais abandonada e com políticas públicas desarticuladas. Por isso, um evento como esse é sempre muito bom e nos enche de otimismo pra gente enfrentar bem o próximo século de nossa cidade. Entendo que é um caminho também para juntar diversos segmentos sociais, intelectuais, econômicos e políticos para construir um futuro mais justo para nossa cidade.

Maria Adelia Aparecida de Souza (Doutora em Geografia pela Universidade de Paris I (1975) e professora titular aposentada da USP)

Esse é um momento dos mais importantes porque para uma cientista e pesquisadora como eu essa é uma troca que todo intelectual deveria ter porque a gente fica pensando na universidade e essa é uma oportunidade de trocar com a sociedade. E Belém é uma cidade com uma diversidade muito grande e eu penso que esse evento tem a cara desse século: complexo, diverso e democrático e que reúne os diversos segmentos para dialogar sobre um futuro melhor e solidário para a cidade.

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