‘A lógica do sistema capitalista não deixa espaço para a sobrevivência dos povos indígenas’. Entrevista com Egon Heck (CIMI)

[EcoDebate]

O que mais marcou a luta do Conselho Indigenista Missionário – Cimi ao longo dos 40 anos foi um novo jeito de ver e viver a missão e o compromisso radical com os direitos e projetos de vida dos povos, frisa o coordenador do Cimi.

Confira a entrevista.

“O novo jeito de ver e viver a missão e o compromisso radical com os direitos e projetos de vida dos povos, que chegou ao martírio de vários companheiros e companheiras, fez com que esse sangue derramado se transformasse em novas energias e testemunho corajoso e radical, movidos pela fé no Deus da Vida”, continua o coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, Egon Heck, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. De acordo com Heck, o que mudou em relação à missão do Cimi ao longo de 40 anos foi a transformação que pode ser resumida nesta citação bíblica: “É preciso que eles cresçam e eu diminua”. E continua: “Essa afirmação repetida por D. Tomás Balduíno foi sempre a orientação e perspectiva do Cimi. Eles assumirem a sua história, caminharem com os próprios pés, construírem seus espaços de autonomia, autodeterminarem suas relações com os Estados nacionais e sociedade civil, contribuírem com a construção de novos projetos políticos, sociais e econômicos, a partir de seus projetos de Bem Viver, é o nosso principal objetivo”.

Essa tem sido a perspectiva norteadora da caminhada de solidariedade e apoio aos povos indígenas nesses 40 anos. “É bem verdade que nosso sonho era de que em quatro décadas as mudanças na nossa sociedade fossem na direção de construção de um projeto político popular, plural e radicalmente democrático. Um projeto não comandado pela lógica capitalista da acumulação, mas um país orientado pela lógica da solidariedade, justiça social e diversidade étnica e cultural. Um país plural”, completa.

Egon Heck é coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, regional do Mato Grosso do Sul, da causa indígena brasileira. Ele não é índio, mas compartilha dos mesmos sentimentos, da vontade de viver em uma sociedade que respeita as diferenças, aprende com a espiritualidade e sonha com justiça social. Heck foi padre durante 12 anos e, hoje é missionário leigo. Engajado com as comunidades indígenas desde a juventude, adotou esta causa como parte integral de sua própria vida e diz com orgulho e firmeza que este “é um motivo que vale a vida, vale a morte”.

Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em que contexto histórico e politico foi fundado o Cimi?

Egon Heck – O Conselho Indigenista Missionário – Cimi foi criado quando os povos indígenas do país atravessavam um dos seus piores momentos, ou seja, próximo ao desfecho final do genocídio, a extinção anunciada e programada. A população estava reduzida a um patamar de 90 a 100 mil pessoas, conforme Darcy Ribeiro. Todos caberiam no estádio do Maracanã. Como sugeria um político da década de 1970, para o governo sairia mais barato colocar todos os índios no estádio e ali sustentá-los. É neste contexto que surge o Cimi, em abril de 1972. O “milagre brasileiro” galopava sobre cruzes e cadáveres dos indígenas e opositores ao regime. Afirmava-se que o bolo (da economia!) teria que crescer para depois ser dividido. Cresceu o bolo da morte para muitos e concentrou-se ainda mais o capital nas mãos de poucos. Era Delfin. Era das grandes obras, como cobras venenosas as estradas, como a Transamazônica, serpenteavam entre as florestas, atravessando aldeias, ceifando vidas, especialmente dos povos indígenas.
Massacres

“Y Juca Pirama – o índio, aquele que deve morrer” eclodiu como uma bomba, um pedido de socorro, clamor de justiça, anúncio de novos valores e tempos. Era final do ano de 1973. Os massacres de comunidades indígenas começavam a ser registrados e denunciados. O massacre dos Cinta Larga, Paralelo 11, chegava a instâncias nacionais e internacionais.
A Funai

A Funai militarizada (o general Bandeira de Melo, como presidente do órgão, mantinha o escalão intermediário na mão de oficiais e soldados como chefes de posto) estava convertida num organismo de repressão e informação com ramificação do Serviço Nacional de Informação – SNI.
Criação de leis

As denúncias a organismos internacionais de direitos humanos e étnicos fizeram surgir a necessidade de criação de leis que interrompessem esse processo genocida. Foi então enviado ao Congresso a proposta do Estatuto do Índio, em 1970. Contribuir na discussão dessa lei foi também um dos motivos imediatos da criação do Cimi. O Estatuto do Índio foi finalmente aprovado em dezembro de 1973, como lei n. 6.001.
Frases

Uma das frases que melhor retrata a gravíssima situação em que se encontravam os povos indígenas foi do sertanista Cotrim Neto, chefe de posto, junto aos Parakanã no Pará. O abandono que a Funai relegou aos índios e seus responsáveis diretos fez o indigenista lavrar um veemente protesto no momento de pedir a sua demissão, no qual consta este desabafo: “Não pretendo contribuir para o enriquecimento de grupos econômicos à custa da extinção das culturas primitivas. (…) A política indigenista desenvolvida aceita a tese de que as culturas primitivas são quistos ao desenvolvimento nacional. Já estou cansado de ser coveiro de índio. Transformei-me em administrador de cemitérios indígenas” (O Estado de S. Paulo, 21-4-73).
São emblemáticas do pensamento da elite dominante frases como a do Ministro da Agricultura, o general Cirne Lima: “A missão civilizadora do boi”, onde tecia a apologia do progresso que avançava tal qual cobra pelas florestas e matas, especialmente na Amazônia. Pouco importava se no seu rastro deixava seus rastos sobre cadáveres dos povos indígenas.
“A Amazônia só será nossa quando for habitada apenas por brasileiros convictos, e não por índios que não tem nacionalidade”. Essa afirmação foi feita pelo brigadeiro Protásio Lopes, em Belém, no dia 25 de janeiro de 1980.

IHU On-Line – Qual a contribuição e a influência da Igreja na formação do Cimi?

Egon Heck – O Cimi surgiu da insatisfação e insurgência de missionários que trabalhavam com os povos indígenas, e alguns bispos insatisfeitos com os rumos das missões avaliadas à luz e ventos do Concílio Vaticano II, assim como as conferências episcopais latino-americanas de Puebla e Medellin. Foram fundamentais os posicionamentos e intuições iluminadoras de figuras proféticas e corajosas como D. Ivo Lorscheiter, D. Pedro Casaldáliga, D. Tomás Balduíno, dentre outros.
Contribuições de leigos e religiosos

Igualmente foram decisivas as contribuições dos leigos e de religiosos, como Egydio Schwade e Tomás Lisboa, jesuítas, de cuja postura transformadora se forjou a organização do Cimi enquanto presença na base em todo país, através da criação de articulações regionais. Além dos leigos da Operação Anchieta – OPAN (hoje Operação Amazônia Nativa), a raiz e a inspiração mais profunda do Cimi vieram do exemplo das Irmãzinhas de Foucauld, junto aos Tapirapé, na Prelazia de São Felix.
Mudanças

Com relação às mudanças, Egydio descreve esse processo: “Assim, no final do primeiro ano de existência do Cimi, parecia que pouco ou nada mudaria na política indigenista da Igreja Católica, apesar do novo instrumento criado para isso. Diante da insatisfação geral das bases, por sugestão do Secretário Executivo da CNBB, D. Ivo Lorscheiter, foi criado, no dia 30 de junho de 1973, o Secretariado Executivo do CIMI, que desencadeou a mudança. Mudança que é fruto de um amplo mutirão, costurado por uma pequena equipe, atualizada sobre a realidade do índio brasileiro daquele momento histórico, e que se movimentava pelo País, na busca de discutir sem preconceitos religiosos, políticos, partidários, classistas… a situação indígena. A discussão se alimentava pela presença constante da realidade local, regional, nacional e internacional, no que foram muito importantes jornalistas espalhados por todas as capitais do país que começaram a acreditar nesta ação nova e diferente. Mas foram principalmente importantes nesta discussão as atitudes e princípios de vida pessoais e coletivos, trazidos pela prática diária das pessoas que moravam nas aldeias. Aldeias Sagarana (RO), Tapirapé (Araguaia-MT), Paresi (MT), Tatuí (MT), Rickbaktsa, Nanbikuara e Myky (Juruena-MT) Maronawa (Purus-AC), Sagarana (Guaporé-Ro), Funil (Xerente-TO)… e muitas outras. A ação, a nível nacional, era costurada pela equipe do Secretariado Executivo, auxiliada principalmente pela equipe de pastoral da Diocese de Goiás Velho e do seu bispo, D. Tomás Balduíno. Reunia-se com grande agilidade em qualquer parte do País, com pessoas de diversas linhas eclesiais e ideológicas. Todos eram animados a manifestar a sua opinião” (Egydio Schwade – História do Cimi).

IHU On-Line – O que mudou em relação à missão do Cimi ao longo desses 40 anos, considerando que as temáticas e lutas indígenas também se transformaram?

Egon Heck – A principal transformação pode ser resumida nesta citação bíblica: “É preciso que eles cresçam e eu diminua”. Essa afirmação repetida por D. Tomás Balduíno foi sempre a orientação e perspectiva do Cimi. Eles assumirem a sua história, caminharem com os próprios pés, construírem seus espaços de autonomia, autodeterminarem suas relações com os Estados nacionais e sociedade civil, contribuírem com a construção de novos projetos políticos, sociais e econômicos, a partir de seus projetos de Bem Viver, é o nosso principal objetivo. Essa tem sido a perspectiva norteadora da caminhada de solidariedade e apoio aos povos indígenas nesses 40 anos. É bem verdade que nosso sonho era de que em quatro décadas as mudanças na nossa sociedade fossem na direção de construção de um projeto político popular, plural e radicalmente democrático. Um projeto não comandado pela lógica capitalista da acumulação, mas um país orientado pela lógica da solidariedade, justiça social e diversidade étnica e cultural. Um país plural.
Encontrar respostas

As mudanças mais significativas foi a de encontrar respostas diversificadas à multiplicidade de situações que foram emergindo a partir das mudanças no país e no mundo. Realidades como a expressiva presença e migração de indígenas para as cidades (quase a metade dos mais de 800 mil índios está em situação urbana, conforme o último censo do IBGE). Os povos emergentes, resistentes ou ressurgidos, em todas as regiões do país, foram mais de 40 que voltaram a afirmar a sua identidade e lutar por seus direitos, especialmente o relativo à terra. Os territórios indígenas, arrasados pelo desenvolvimentismo, exigiram respostas como a reconstrução e adequação das economias indígenas a essas realidades, com projetos e esforços de recuperação ambiental. Ao relembrar a caminhada do Cimi, o companheiro Egydio escreveu: “Formava-se para a solidariedade e para a simplicidade, para o engajamento 24 horas por dia na luta por um espaço para o índio, para a conquista de um espaço mais livre e novo para todos dentro da Igreja. Os encontros e reencontros, as discussões e a mudança de fato, no dia a dia, ocorriam de forma informal, alegre e animada nas aldeias e nas cidades” (Egydio Schwade – História do Cimi).
Proibições e perseguições

O que mudou não foi o entusiasmo e dedicação dos missionários, mas o local e forma como foi prestado esse apoio incondicional. Inicialmente, a dedicação era quase exclusiva a partir das aldeias, na convivência direta e diária com as comunidades. Depois se viu que a luta política e o apoio dos aliados eram igualmente importantes e indispensáveis para os trabalhos com a população envolvente e para o apoio aos processos de mobilização e formação-informação. Eu fiquei conhecido como “secretário mochileiro”, que era uma forma de acompanhar e levar informação aos missionários nas mais distantes fronteiras do nosso país, especialmente na Amazônia. Outro fator de mudanças foram as proibições e perseguições dos missionários, leigos e religiosos, pela Ditadura Militar, dos latifundiários e da própria Igreja pré-conciliar. “Mas, com seu incontestável compromisso com os povos indígenas, conquistaram força junto a estes e junto à sociedade civil. E foi esta tríplice aliança que provocou as primeiras rachaduras na ditadura militar” (idem, ibidem).
Presença solidária

É indiscutível que a grande força do Cimi nesses 40 anos veio de sua presença solidária junto à maioria dos povos indígenas do país; presença e testemunho silenciosos, nas aldeias e comunidades, acampamentos ou nas periferias das cidades.

IHU On-Line – De que maneira o Cimi contribuiu para a conquista dos direitos dos povos indígenas ao longo dessas quatro décadas?

Egon Heck – O Cimi contribuiu com inúmeras lutas dos povos indígenas no país, especialmente na reconquista de partes de seus territórios e na denúncia das violências que eles vêm sofrendo há mais de 500 anos. Uma das lutas, até hoje, pode ser observada na carta que Mario Juruna Xavante escreveu aos Kaiowá-Guarani, após uma visita a algumas comunidades desse povo. Descreveu assim a realidade dos Kaiowá que viviam na Companhia Mate Laranjeira: “Eles vivem presos que nem gado em piquete. Na entrada da fazenda, o gerente colocou cadeado. Assim ninguém pode visitar os índios, nem Funai, nem pessoa da Igreja, nem imprensa. Desse modo, ninguém vê que índio está vivendo como verdadeiro escravo…” (Porantim, abril, 1980). Essa comunidade que foi jogada pela Funai no Paraguai e depois pela empresa foram levados para a terra dos Kadiweu, na serra do Bodoquena. De lá voltaram a pé, mais de 100 km, e foram apoiados pela Diocese de Dourados, através do Cimi regional. Antonio Brand acabava de chegar ao regional e lembra esse fato como o batismo no indigenismo radicalmente comprometido com as lutas desses povos.
Conquista maior

Poderíamos elencar inúmeras contribuições do Cimi com os direitos dos povos indígenas no Brasil. Dentre todos, destacaria a conquista maior: a de suas terras-territórios, com muita luta e sangue derramado. Os mártires da causa, missionários e indígenas, foram assassinados porque defendiam seus territórios e recursos naturais.
Processo de articulação e organização

Outro aspecto fundamental nessas conquistas foi o processo de articulação e organização, desde as comunidades até as frágeis, mas importantes organizações regionais e nacionais. O Cimi tem apoiado esse processo desde o seu nascedouro, na sua raiz mais importante, as Assembleias Indígenas. A primeira foi realizada em Diamantino, em abril de 1974. Dezenas delas foram sendo realizadas em todas as regiões do país, fazendo emergir o processo organizativo que culminou com a criação da União das Nações Indígenas – UNI, em 1980.
Conquista dos direitos indígenas

Além do apoio na luta no chão, o Cimi também contribuiu de maneira decisiva na conquista dos direitos indígenas, especialmente na Constituição de 1988. O Cimi apoiou todo o processo de mobilização que se deu durante o processo constituinte e resultou no Título V, nos artigos 231 e 232 da Constituição, dentre outros.

IHU On-Line – Como as populações indígenas veem o Cimi?

Egon Heck – Por ocasião dos 40 anos do Cimi, fizemos uma série de entrevistas com lideranças indígenas em nível nacional. Podemos ressaltar que os depoimentos são quase unânimes em destacar a importante contribuição histórica do Cimi, seja como parceiro e aliado, seja como companheiros confiáveis. Elas reconhecem que o Cimi foi fundamental na recuperação e garantia das terras e territórios indígenas. O desejo manifesto é de que o Cimi ainda tem muito a contribuir com a luta dos povos indígenas e, para isso, almejam que a entidade recupere sua força de presença e apoio aos povos e comunidades indígenas no país.

IHU On-Line – Como o Cimi se relaciona com os demais órgãos que lidam com a questão indigenista, como a Funai, por exemplo?

Egon Heck – O Cimi sempre se pautou por uma política de diálogo, articulação e aliança com todos os movimentos sociais, populares e étnicos que se propunham a lutar pelos direitos dos povos indígenas a partir dos princípios de respeito aos direitos e autodeterminação desses povos. Nesse aspecto, a entidade conquistou uma ampla credibilidade junto ao movimento indígena e setores progressistas da sociedade.

Quanto à relação com o órgão indigenista oficial, o que tem marcado essa relação foi, em geral, uma relação de tensão e conflito em função de políticas e práticas opostas a partir de suas origens. Ou seja, a lógica do sistema capitalista não deixa espaço para a sobrevivência dos povos indígenas. Já no documento “Y Juca Pirama – o índio, aquele que deve morrer”, ficou explicitada a relação dos missionários: “Nada faremos em colaboração com aqueles que visam ‘atrair’, ‘pacificar’ e ‘acalmar’ os índios para favorecer o avanço dos latifundiários e dos exploradores de minérios e de outras riquezas. Ao contrário, tal procedimento será objeto de nossa denúncia corajosa ao lado dos próprios índios.” O questionamento ao sistema capitalista e suas práticas indigenistas fizeram com que várias vezes os missionários do Cimi fossem proibidos de entrar nas terras indígenas. Isso, na verdade, nos estimulou mais ainda, pois mostrava que estávamos no caminho certo. Também na conjuntura da guerra fria, muitas vezes missionários eram acusados de comunistas, subversivos.

IHU On-Line – O que mais marcou a luta do Cimi ao longo desses 40 anos?

Egon Heck – Um novo jeito de ver e viver a missão e o compromisso radical com os direitos e projetos de vida desses povos. Esse aspecto, que chegou ao martírio de vários companheiros e companheiras, fez com que esse sangue derramado se transformasse em novas energias e testemunho corajoso e radical, movidos pela fé no Deus da Vida.
Declarações

Em 1979, D. Pedro já dizia: “o Cimi tem sido a primeira pastoral de fronteira lucidamente organizada, que foi para as bases de um modo radical, conseguindo contestar seriamente a história da própria igreja. Creio que ele demonstrou o quanto a causa indígena, que é uma causa perdida, pode ser salvadora. Essa nova pastoral indigenista está salvando a nossa pastoral” (Porantim – outubro, 1979).

Em recente artigo sobre a caminhada do Cimi, o primeiro secretário da entidade, Egydio, assim destacou a trajetória da entidade nesses 40 anos… “Talvez tenhamos levado as nossas convicções até o exagero, mas creio que acertamos. Pois foi essa prática que nos deu liberdade para andar esse país de Norte a Sul, apesar da repressão da Ditadura Militar e das mesquinharias e contestações da Igreja reacionária. Poucas vezes, a Igreja acompanhou a situação do homem sofredor no interior e nas cidades, índios e não índios, como naqueles anos” (Porantim – outubro, 1979).

IHU On-Line – Que avaliação faz da atuação da instituição junto aos povos indígenas atualmente?

Egon Heck – Por ser a única entidade de apoio aos povos indígenas que durante esses 40 anos esteve permanentemente junto desses povos, de maneira coerente e radical, consciente e crítica, nos seus momentos de luta, de dor e de vitórias, o Cimi escreveu e continua escrevendo uma das belas páginas da história do movimento social e étnico desse país. Por ter tido o privilégio de partilhar essas quatro décadas com companheiros e companheiras da entidade e do movimento e comunidades indígenas de Norte a Sul do país, sinto-me profundamente gratificado, olhando para essa bonita e dura história de luta dos povos indígenas e dos movimentos que lutam para construir um Brasil plural, justo e solidário.

Termino citando o plano de pastoral, construído com suor e sangue, esperança e fé. “A partir da fé, com seus desdobramentos na proximidade aos povos indígenas (inculturação) e na universalidade de sua causa (libertação), os missionários e as missionárias sabem que os índios devem crescer e eles diminuir (cf. Jo 3,30). Por isso, o Cimi incentiva, tanto no campo político como no campo religioso, o protagonismo missionário e uma fé adulta, como sujeitos históricos na sociedade”.

(Ecodebate, 12/06/2012) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.

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