A marca do Diabo

[Luiz Mário de Melo e Silva]

Não há dúvida que esta cidade é um inferno, onde tudo fica pior do que já está. E claro, o autor dessa façanha certamente é o Diabo, com CPF, RG, TE e endereço no Palácio Antônio Lemos (só para efeito de confirmação: seu nome começa com a letra “D” e não é coincidência. É o Diabo mesmo).

Os iniciados nas questões diabólicas sabem que no inferno nada é feito para satisfazer a quem ali chega, a não ser para o deleite do mandatário. Construção e demolição permanente, em sentido amplo, é o que mais existe. Tudo com o único motivo de atazanar a todos.

É óbvio que para os eternos frequentadores do inferno o Diabo reserva algum evento, não para a distrações deles, mas para manter a fama de mau adquirida em grande estilo com a prática de falso médico, e consequentemente a de falso administrador (enfatizando o adjetivo que sempre o serviu para tirar proveito de tudo por onde passou).

Os eventos são: o jogo de perder a paciência, a tourada com carros e faltar encontros previamente marcados.

Quem nunca perdeu a paciência no trânsito, ou teve que se desviar de algum veículo, atravessar ruas, como se estivesse numa arena de touros tentando vencer os animais justamente para não perder o encontro, que, a essa alturas, já foi para o beleléu?

É lógico que em meio a tudo isso há a brincadeira de esconder a galinha dos ovos de ouro, praticada somente pelo Diabo e alguns bandidos encobertos por  capas pretas (ou toga, como diria a presidente do Conselho Nacional de Justiça, Ministra Eliane Calmon).

Haverá talvez quem pense que chamar Belém de inferno pode ser algo de desmedido, até porque o morador do citado palácio que responde pela (falsa) administração desta cidade, se apresenta sempre com um contrito religioso, sempre temeroso ao divino e que jamais faria uma coisa assim. Porém, não deve esquecer que o Diabo é um especialista em disfarce, até escreve(?) dizendo que é “bicho do mato”.

Mas se o leitor alguma vez se encontrou inserido no contexto descrito se não  imaginou-se no inferno, por amor à cidade, certamente não pode negar que está num carrossel diabólico, com a marca do Diabo por todos os lados. É só levantar a vista e perceber, pois o Diabo deixa sua obra marcada com a inicial de seu nome – que, aliás, enseja desassossego.  Ou não?

Luiz Mário de Melo e Silva

Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)

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