Jogo sujo nas eleições em Belém | Pesquisas e suas contradições

Interessante análise do professor Luiz Araújo sobre as pesquisas eleitorais em Belém. Araújo é mestre em políticas públicas em educação pela UnB e doutorando na USP e mantém um blog onde disponibiliza estudos sobre educação e política no Brasil.

[Luiz Araújo]

Com a aproximação do dia das eleições um debate que volta à tona é sobre a seriedade das pesquisas eleitorais.

Em que pese à legislação ter se tornado mais rigorosa, a possibilidade de utilização indevida das pesquisas eleitorais, principalmente pela capacidade de influenciar nos resultados eleitorais.

Utilizo duas pesquisas publicadas pelos jornais de Belém no dia de hoje para exemplificar os riscos da má utilização deste importante instrumento de mensuração dos desejos da população. O Jornal O Liberal publicou pesquisa do Ibope (campo feito entre 19 e 21 de setembro) e o jornal O diário do Pará publicou pesquisa da Píese (mesmo período de entrevistas). As pesquisas foram feitas, portanto, no mesmo período e, por conseguinte, seus resultados deveriam ser bem parecidos.

Mas não são. E quais foram as principais diferenças?

1. No Ibope Edmilson aparece com 38% e no Ipespe tem 41%.

2. No Ibope o segundo colocado é Zenaldo com 20% e no Ipespe tem 12%.

3. No Ibope o terceiro colocado é Priante com 16%, mas no Ipespe é apontado um empate técnico, pois ele aparece com 12%.

4. Os eleitores indecisos no Ibope alcançam apenas 3% e no Ipespe são 8%.

Divergências acima da margem de erro podem indicar pelo menos dois problemas:

1. Metodológico – ocorreram problemas na base amostral ou na checagem da mesma.

2. Políticos – foram alterados os resultados de forma proposital para favorecer ou prejudicar determinado candidato.

Especialmente o resultado contraditório em relação ao segundo e terceiro lugares é claramente um problema político.

1. Na pesquisa do Ibope a diferença entre o Edmilson e o segundo colocado é de 18 pontos percentuais e no Ipespe esta diferença é de 29 pontos. É uma diferença de 111 mil votos de diferença. Algo inaceitável.

2. A diferença da votação do Zenaldo entre as duas pesquisas é de oito pontos percentuais. Isso significa uma diferença de 80 mil votos. É erro demasiado grande!

Em resumo, há algo muito suspeito acontecendo nas pesquisas que foram selecionadas para análise. Durante a semana analisarei outras pesquisas de outras cidades.

Pesquisa é muito importante, mas precisam ser transparentes e sérias em termos metodológicos. Não podemos vivenciar pesquisas adulteradas e, nas vésperas das eleições, após as adulterações cumprirem seu papel de influenciar no eleitorado, os institutos fazem os ajustes para não sofrerem desmoralizações.

Fonte: Blog do Luiz Araújo

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