ENTREVISTA | Marinor Brito: Edmilson conseguiu unir a esquerda paraense em torno dele. Um PSOL mais forte e vitorioso é o nosso saldo.

Marinor Brito foi eleita vereadora de Belém com uma das mais expressivas votações da história da cidade. Foram exatos 21.723 votos, quase 3% do total de votos válidos. A psolista já foi vereadora por três mandatos (1997/2008) e Senadora da República por 11 meses em 2011. Atualmente, preside o PSOL no Pará e ocupa uma cadeira na Executiva Nacional do partido. “Nossa política de alianças, aprovada no III Congresso do PSOL, favoreceu uma tática que ampliou a força política e eleitoral do partido”, afirma.

Reconhecida pelo seu perfil firme e combativo no parlamento, Marinor promete fazer deste novo mandato uma trincheira de resistência popular e ajudar a credenciar o PSOL como importante força política de esquerda no Pará e como pólo aglutinador da oposição aos tucanos no Pará. Foi o que a ex-senadora e vereadora campeã de votos disse em entrevista exclusiva ao Ponto de Pauta que você confere agora!

Ponto de Pauta: O PSOL acaba de eleger o primeiro prefeito de capital, o professor Clécio Luís em Macapá/AM. Na sua opinião qual foi o saldo destas eleições?

Marinor Brito: O saldo é positivo para o PSOL, pois nosso partido cresceu. Isso é um fato. Fomos o partido com o maior número de candidatos a prefeito nas capitais e na maioria dos casos com “chapa pura”. Recebemos 2,3 milhões de votos no 1º turno para prefeito e 1,1 milhão de votos em nossa chapa de vereadores.
No 2º turno, tivemos 473 mil votos, mesmo disputando eleição em apenas duas cidades, Belém (PA) e Macapá (AP). Elegemos dois prefeitos, sendo um deles o companheiro Clécio Luís, em Macapá, o primeiro prefeito do PSOL em uma capital. Aumentamos em quase 100% nossa bancada de vereadores, saindo de 25 para 49 vereadores eleitos em todo país, sendo que 21 deles são de capitais.
Mantivemos ou ampliamos nossa bancada em algumas das principais cidades do país (Porto Alegre, Fortaleza, Goiânia, Niterói, Maceió, Macapá e Rio de Janeiro) e elegemos nossos primeiros vereadores em cidade importantes como Florianópolis, Natal, Salvador, Campinas e Belém. Na cidade de São Paulo, maior cidade do país, elegemos nosso primeiro vereador. Esse é um saldo muito positivo para nosso partido.

Ponto de Pauta: A que a senhora atribui o fato de ter obtido a maior votação em Belém como candidata a vereadora?

Marinor Brito: Lançamos uma forte chapa de vereadores, de lideranças sociais reconhecidas pelo povo o que ajudou a melhorar o enraizamento do PSOL nos bairros da cidade. Elegemos cinco vereadores na coligação proporcional (PSOL/PSTU), dos quais, quatro são do PSOL. Isso foi uma grande vitória. A minha candidatura obteve uma votação expressiva. Sinto-me honrada em ter sido a candidata mais votada de Belém, pois foram quase 22 mil votos, aproximadamente 3% do total de votos válidos para vereador. Um importante reconhecimento e confiança que só tenho que agradecer ao povo de Belém.

Ponto de Pauta: Na sua avaliação, o que faltou para ganhar as eleições para a prefeitura de Belém?

Marinor Brito: Com apenas 1 minuto e 40 segundos conseguimos um terço dos votos da cidade no 1º turno. A candidatura do companheiro Edmilson Rodrigues foi alvo impiedoso de mentiras e baixarias, da manipulação midiática, de ataques articulados pelo conluio de interesses contrários aos do povo. Enfrentamos as máquinas do Estado e do Município, os esquemas milionários de compras de votos com a conivência de aparatos que atuaram no sentido de acobertar essas ações criminosas, mas ainda assim garantimos importante vitória no 1º turno. No 2º turno, enfrentamos a frente única das elites e obtivemos 43% dos votos da cidade. Foi um resultado conseguido pelos acertos da direção da campanha, pelo carisma e disposição militante do nosso candidato, pela capacidade de ampliação de alianças e pelo engajamento militante de milhares de pessoas, de diferentes partidos, unidas em torno do sonho de restaurar um governo popular em nossa cidade.
Com isso, Edmilson conseguiu unir a esquerda paraense em torno dele, experiência que não se pode diminuir. Ele se tornou a principal referência política deste campo em nosso Estado. Com isso, o PSOL se credenciou duplamente: como importante força política de esquerda no Pará e como pólo aglutinador da oposição aos tucanos.

Ponto de Pauta: Somente no 2º turno das eleições em Belém foram registradas mais de 300 ocorrências no serviço Disque-Denúncia, o qual é vinculado ao Comitê Estadual do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O que o PSOL tem a dizer sobre isso?

Marinor Brito: O PSOL tem somado esforços para o combate a qualquer tipo de corrupção envolvendo recursos públicos, seja em período eleitoral ou não, até porque somos fundadores e participantes ativos do movimento social que resultou na Lei da Ficha Limpa. É verdade também, que a corrupção em períodos eleitorais só existe porque o poder fiscalizador é deficiente e em muitos casos, até conivente. Por isso, todas as denúncias, quase todas elas com provas documentadas apresentadas pelo comitê de combate à corrupção eleitoral junto ao Ministério Público Eleitoral terão o empenho e fiscalização do PSOL. Eu, em particular como vereadora de Belém, me esforçarei ao máximo para que todas as denúncias sejam devidamente apuradas e todos os envolvidos em crimes eleitorais sejam punidos na forma prevista em Lei.

Ponto de Pauta: As movimentações envolvendo Belém e Macapá no 2º turno foram amplamente exploradas pela imprensa, sendo usado inclusive pelo candidato adversário de Edmilson. O que a senhora tem a dizer sobre isso?

Marinor Brito: A nossa política de alianças, aprovada no III Congresso do PSOL, favoreceu uma tática que ampliou a força política e eleitoral do partido, tornando reais as chances de vitória nessas capitais. No 2º turno, recebemos adesões de partidos e forças sociais que fortaleceram nossas candidaturas, tanto em Belém quanto em Macapá. Entre eles, partidos com uma trajetória popular que reforçaram nossa condição de alternativa às velhas elites que governam essas cidades, respeitando os limites impostos pelas resoluções partidárias acerca da política de alianças estabelecida para o 1º turno.
Além de partidos, é natural que candidatos derrotados no 1º turno, personalidades e lideranças políticas que ficaram de fora do 2º turno definissem pelo apoio às nossas candidaturas. Essa decisão é pessoal e não pode ser renegada por um candidato que disputa um 2º turno. Assim, esses apoios serão sempre bem-vindos, desde que venham com o objetivo de reforçar nosso compromisso com o povo e não implicarem em concessões programáticas ou negociações de espaços em futuras administrações do PSOL.

Ponto de Pauta: …e quanto ao apoio do PT em Belém?

Marinor Brito: Em Belém, as forças conservadoras se alinharam de imediato ao candidato tucano, galvanizadas pela força da máquina do governo estadual. A tática da “Frente Belém nas Mãos do Povo” foi ampliar para candidaturas identificadas com o campo de esquerda (PPL e PT) e tentar explorar contradições no bloco conservador. Foi assim que se conseguiu o apoio do PDT. O apoio do PT foi imediato e trouxe para o 2º turno um reforço militante muito importante, seja potencializando a parte que já havia apoiado Edmilson, seja engajando vereadores e deputados estaduais no dia-a-dia da campanha. Evidentemente, esse apoio se forjou, sobretudo, pelo interesse do PT em derrotar os tucanos, o que apenas comprova que mantivemos nossa autonomia e independência em relação a esse partido.
Em que pese à derrota na disputa eleitoral, a campanha de Edmilson Rodrigues conseguiu unir todos os setores progressistas da cidade e credenciou o PSOL e nosso candidato como principais forças políticas opositoras à hegemonia tucana. Vale, ressaltar que além do governo estadual o PSDB governará as três maiores cidades do estado (Belém, Santarém e Ananindeua).

Ponto de Pauta: Após as eleições o que pretende o PSOL?

Marinor Brito: A nossa tarefa é consolidar o saldo eleitoral que colocou o PSOL como partido com capacidade para liderar a oposição aos tucanos. Neste sentido, creio que nossos mandatos não medirão esforços para ajudar nas lutas sociais por conquistas de direitos, para impedir mais retrocessos e na organização do povo para cobrar promessas e fiscalizar o governo tucano municipal e estadual.

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