“O filho da puta nasce com corpo de mulher, mentalidade de homem, família evangélica.

Transexualidade é tema de documentário filmado no sertão nordestino

Xandra Stefanel [Rde Brasil Atual] Filme mostra um Brasil diverso por meio de um homem que sonha em aperfeiçoar sua masculinidade com um ‘detalhe’ que a natureza não lhe deu

image_preview“Eu costumo dizer que eu sou um homem completo. Eu sou o homem que realiza qualquer mulher. Eu sei o que é uma TPM foda, mas eu sei o que é o tesão, a tara masculina da penetração, da pegada de um homem com uma mulher. Então eu sou completo. Só me falta o glamour”, diz Syllvio Lúccio, transexual masculino, personagem principal de Olhe pra Mim de Novo, que estreou nesta sexta-feira (24), em São Paulo.

“O filho da p. nasce com corpo de mulher, mentalidade de homem, família evangélica. Sai de casa aos 16 anos de idade… Quer dizer, eu sempre fui na contramão”, define-se Syllvio no longa-metragem dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Se hoje em dia transexuais ainda sofrem preconceito em grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que dizer do que enfrenta, em pleno sertão nordestino, alguém que nasceu com o sexo feminino e que agora aguarda a possibilidade de uma operação para se transformar em homem?

A proposta de Olhe pra Mim de Novo é acompanhar Syllvio numa viagem pelo sertão e (re)conhecê-lo fora de sua zona de conforto, a pequenina Pacatuba (CE). O que encontramos pelo caminho são personagens e relações sociais pouco filmadas nesta região do Brasil, onde o preconceito grita ainda mais alto. O road movie passa por Juazeiro do Norte (CE), Currais Novos (RN), Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), onde Syllvio depara com pessoas que expõem diversos dilemas familiares: de questões ligadas à maternidade e DNA, passando, é claro, pelos estigmas da transexualidade.

O sonho do personagem e de sua mulher é ter filhos. Para isso, pensam em unir seus óvulos e recorrer a um banco de esperma. Assim, a criança teria características genéticas do pai e da mãe. Na verdade, segundo os diretores, a ideia inicial do filme era “abordar as novas transformações tecnológicas sobre o corpo e como as famílias se modificaram a partir de questões de gênero ou genéticas”.

Um filme tocante que mostra um Brasil diverso por meio de um homem que sonha em aperfeiçoar sua masculinidade com um “detalhe” que a natureza não lhe deu. Ele quer usar seus óvulos para tornar-se pai e sonha com o dia em que possa, mesmo nu, sentir-se um verdadeiro cabra macho do Nordeste.

Os diretores

Olhe para Mim de Novo é a primeira direção conjunta de Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Mas ambos se conhecem de longa data: são casados há 14 anos e colaboraram entre si em diversos outros filmes. Claudia dirigiu o longa-metragem Leite e Ferro, sobre a maternidade na prisão, e os curtas-metragens ParachacalSexo eClaustro e Phedra, além de ser roteirista de 33, dirigido por seu marido Kiko. Ele também assina a direção deAtos dos HomensFilmeFobia, além de outros médios e curtas.

Xandra Stefanel [Rde Brasil Atual]

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