Com o Diabo no couro | Justiça nega liberdade a pastor acusado de estuprar fiéis no Rio

O juiz da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, indeferiu nesta segunda-feira (27) o pedido de liberdade provisória formulado pela defesa do pastor evangélico Marcos Pereira da Silva, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. O religioso está preso desde o dia 8 de maio, acusado por dois crimes de estupro e coação no curso do processo. Marcos Pereira está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste.

pastor-marcos-pereira-crime-20130508-16-size-598O magistrado concluiu que os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva continuam inalterados. A decisão rechaçou ainda os argumentos da defesa de que faltaria legitimidade ao Ministério Público estadual para propor a ação penal.

TJ nega liminares – No dia 9 de maio, a  Justiça do Rio negou dois pedidos de liminar em favor do pastor Marcos Pereira. O objetivo da defesa era conseguir libertar o pastor caso alguma das liminares fosse concedida. Dois pedidos de habeas corpus também foram analisados pela 8ª e 3ª câmaras criminais e não concedidos.

Inquérito – Segundo as denúncias, o réu é pessoa de alta periculosidade e ameaça direta e indiretamente as pessoas que o contrariam. Ainda de acordo com o MP, o pastor utiliza-se de sua autoridade religiosa para amedrontar e até mesmo aterrorizar suas vítimas.

Relatos das vítimas – Duas vítimas que denunciaram o pastor Marcos Pereira por abuso sexual relataram como funcionava a abordagem do religioso. Em depoimento, elas afirmaram que chegaram a morar na igreja, onde não podiam ler jornais, ver televisão e nem falar em telefones celulares.

“Quando ele pegou na minha mão, eu já fiquei na minha cabeça pensando se ele estava tentando ver se tinha algum espírito em mim, que era o que ele costumava fazer. Eu fiquei orando, ele começou aos poucos, ele foi tocando no meu corpo. Você se sente humilhada, você se sente nada, como se fosse um objeto descartável”, disse uma delas.

Para outra vítima, o sistema de clausura favorecia os abusos. “Ele aproveita momentos de fragilidade, que a gente fica ali, entregue mesmo àquela ideologia que eles passam para gente”, disse.

Marcos Pereira da SilvaOutros crimes – Marcos Pereira também é investigado por homicídio, associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo um ex-braço direito do religioso, certa vez, o pastor obrigou o amigo a guardar mochilas com aproximadamente R$ 400 mil em sua casa.

Após ouvir as vítimas, o delegado Márcio Mendonça, da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio de Janeiro, revelou que o suspeito dizia às mulheres que elas estavam “possuídas” e que só iriam se livrar do “mal” caso tivessem relação sexual com um religioso. Entre as vítimas está a ex-mulher dele e uma jovem que disse ter sido estuprada dos 14 aos 22 anos. A polícia apura a possibilidade de outras mulheres terem sido abusadas.

“Ele tinha um comportamento semelhante quando estuprava as mulheres dentro da própria igreja. Ele dizia que elas estavam possuídas, demoniadas e ele fazia crer que a única forma que essas pessoas pudessem ser libertadas daquele demônio era tendo relação com uma pessoa santa”, afirmou o delegado Márcio Mendonça.

Fonte: G1

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