Truculência com Evo Morales faz América do Sul ‘mais unida’

image_largeSão Paulo – Líderes dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reuniram ontem (4) em Cochabamba, na Bolívia, para uma reunião sobre a restrição ao avião de Evo Morales e declararam sua solidariedade ao presidente boliviano. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse acreditar que a agressão a Evo só conseguiu “unir ainda mais” os países da América do Sul. Ele também sustentou que França, Itália, Espanha e Portugal romperam “todas as regras de convivência” ao proibir que o avião presidencial boliviano adentrasse seu espaço aéreo.

“Em nome do comandante Hugo Chávez, viemos expressar nosso apoio ao presidente Morales. Quem mexe com a Bolívia mexe com a Venezuela (…) Não é tempo para a mesquinharia frente à agressão de um líder latino-americano”, afirmou Maduro. “O que teria acontecido se essa agressão tivesse custado a vida a Morales?”

Evo Morales viajava de volta de viagem a trabalho na Rússia e foi obrigado a pousar em Viena (Áustria), para reabastecimento, depois de França, Portugal, Itália e Espanha negarem a permissão de sobrevoo por suspeitas de que a aeronave estivesse transportando o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos e refugiado há dias no Aeroporto de Moscou. O prolongamento do voo poderia ter esgotado o combustível da aeronave e colocado a vida do presidente da Bolívia em risco. O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, disse, no entanto, que a decisão de impedir a passagem do presidente boliviano pelos espaços aéreos foram decisões individuais dos países.

Mais cedo, Maduro havia dito que iria avaliar as relações bilaterais de seu país com a Espanha depois do incidente e que a CIA era a responsável pelo atentado a Morales, já que “a Europa é a principal vítima de Washington” e, ao mesmo tempo, as primeiras a apoiar suas ações. Também havia perguntado o que aconteceria se o mesmo ocorresse a um presidente europeu no continente sul-americano.

Já o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que os governos da região não permitirão “mais vexações contra a América Latina” e que atuarão “como Estados livres e soberanos como são nossos povos”.

Ele também pediu que os países europeus não se esqueçam da soberania dos Estados latino-americanos. “Eles estão tentando aborrecer um Estado, um representante dos povos indígenas ancestrais. A Europa deve muito à nossa querida Bolívia. Não permitiremos que se trate assim um presidente de um Estado da nossa América.”

Correa declarou que “o direito internacional e a inviolabilidade dos chefes de Estado foram destroçados. Não entendemos por que se agiu assim contra a querida Bolívia”. Acrescentou ainda que “não foi a Bolívia que espiou ninguém. Não foi a Bolívia que invadiu ninguém. Foi um cidadão norte-americano que revelou talvez o maior caso de espionagem global”.

O presidente do Suriname, Desiré Bouterse, declarou ter ido a Cochabamba “para testemunhar e demonstrar solidariedade com o que aconteceu com o presidente boliviano nos dias passados”.

Por sua vez, Evo Morales declarou que “não basta só a desculpa” dos países europeus e que seu governo buscará “o respeito” aos tratados e normas internacionais para respaldar sua reivindicação perante os organismos externos.

“A posição firme que vamos assumir é fazer respeitar perante os organismos internacionais as normas e os tratados internacionais. Não basta só a desculpa de algum país que não nos permitiu passar por seu território”, declarou Morales em um ato na zona central de Chapare, antes de dirigir-se à reunião.

O chanceler venezuelano, Elías Jaua, pediu o fim das “pressões grosseiras” a países que avaliam a solicitação de asilo do ex-agente. “Não haverá pressão de governo nenhum no mundo que impeça que os governos, que decidimos ser livres, de avaliar a solicitação de asilo que emita qualquer cidadão do mundo e tomar as decisões que lhe convenha, dentro do estabelecido no direito internacional”, afirmou.

Do Ópera Mundi, com informações do site Carta Maior e da agência EFE.

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