Vício de origem

[Luiz Mário de Melo Silva ]

ImagemObservando a história da formação dos gregos e romanos, povos que estão na base da cultura ocidental, percebe-se que os mesmo, por sua vez, tiveramainfluência de outrospovos,o que oslevou a desenvolver uma cultura dita superior por haver expandido o potencial humano com até hoje o conhecemos; o que, por analogia, pode ser inferidoaos brasileiro se não fosse pelo único detalhe que os gregos e romanos absorveram oque de melhor havia daqueles que chegavam parase instalar naquela região, trazendo consigo suas qualidades e valores, ao contrário do que se observa com o que por aqui aportou.

Sabe-se que a crise econômica que se instalava na Europa, por volta do séc. XV,em grande parte devido à luxúria vivida pelas monarquias,obrigou que estas buscassemoutrasfontes de riquezas, para seus gastos -fato que ficou conhecido como as grandes navegações, dando início à colonização extracontinental.

Ora, sem pretender largar o osso após haver devorado toda a carne, as falidas elites europeias enviaram, como seus lacaios e legítimos representantes, todo tipo de pessoas que pudessemsuportar toda espécie de adversidade devido ao ambiente inóspito e hostil que pudesse existir em terras inexploradas, como se apresentavam estas terras; e para isso as almas que viviam semelhantes a bandidos, pois estes tendem a seadaptar melhor em ambientes como os supracitados, certamente foram as desterradas e enterradas (plantadas) por aqui.

Logo, o que aqui aflorou permanece e vem se mantendo até hoje.

Ou seja, as leis construídas por bandidos para manter o mínimo de organização social que pudesse garantir a presença de servos em condições devigiar o curral e a mentalidade de escravos que esperam ordens superiores-coisa que seconfirma toda vez que explode um grande escândalode corrupção (que, aliás, se avoluma cada vez mais), como ora se observa por ocasião do julgamento do “mensalão”.

Essa mentalidade fica muito bem definida quando se trata das raízes culturais deste povo.Sabe-se que aquilo considerado como cultura popular, ou seja, o futebol, o carnaval e a religião têm suas origens estrangeiras, ocorrendo o mesmo com a dita cultura superior, como o sabemos. Dai que ainda se padece dos vícios de origem, embora possa parecer que há uma cultura original, autêntica, sui generis, o que não é verdade, que mantém a mentalidade colonial.

Isso fica claríssimo quando se percebe que o sistema econômico literalmente quebrado, ou seja, falido, pelas elites, tenta criminalizar parte do povo que,em passeata de protesto,danifica algumas pequenas portas se comparadas às que guardamtodasas coisaspúblicas, como ocorre com a corrupção que assola a humanidade em escala mundial, na tentativa de manter de péum cadáver insepulto, como o capitalismo.

O excerto de um artigo de Leonardo Boff, sobre as manifestações de junho fornece com perfeição este estado de coisas: “Efetivamente,até hoje o Brasil foi e continua sendo umapêndice dograndejogoeconômico e político domundo. Mesmopoliticamente libertados,continuamos sendo recolonizados,pois aspotências centrais,antes colonizadoras,nos queremmanter ao que semprenoscondenaram: a seruma grande empresa neocolonial que exporta commodities.”

Claro que em meio a esse processo – nocivo, diga-se – está a ciência (?) sendo utilizada para injetar nas veias uma cultura que degenera valores caros a maioria em detrimentodeuma pequenaminoria (aredundância éproposital).

Obviamente que alguns pensadores servem, ou são utilizados equivocadamente, a tal nefasto propósito quando tentam resgatar algo como um certoneoniilismo(algo pós-moderno), comoZygmuntBauman, com sua “realidade líquida”, que tende a ser mais bem adaptada pelo capitalismo, agora falido, com sua ética e moral de mercadoria que tem a venda, a compra, a manipulação, o consumismo exacerbados e, por último, o descarteque a todos tende envolver; escudado, ainda, por um povo que senega a enxergar e – o pior –  fazer valer sua história autêntica, nascida do ambiente natural, mantendo o vício do “pecado original”.

Luiz Mário de Melo Silva

Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)

E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br

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