Chacina de Belém | Manifestantes cobram CPI para investigar grupos de extermínio

Oito deputados já assinaram o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa apurar a existência de grupos de extermínio e milícias no estado do Pará, nesta terça-feira, 11. O requerimento foi apresentado pelo deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), na Assembleia Legislativa do Pará, em atendimento ao apelo do movimento social.

???????????????????????????????Mais de 100 entidades da sociedade civil fizeram passeata pelas ruas do centro de Belém, nesta data. Elas reivindicam rechaçaram o repúdio à chacina ocorrida nas ruas da capital paraense, na noite do último dia 4 e madrugada do dia 5, supostamente promovida por policiais militares para vingar a execução do colega de farda, cabo Antônio marcos Figueiredo. E, ainda, cobraram a implantação da CPI. Os manifestantes partiram da Escadinha do Cais do Porto, pela manhã, até a sede da Assembleia, onde foram recebidos por um grupo de deputados, entre eles, Edmilson.

Um morador do bairro da Terra Firme, onde ocorreu a maioria das mortes divulgadas pelo governo do estado – quatro do total de nove -, alegou aos deputados que o número de vítimas fatais é superior ao alegado pelo Executivo, sendo cerca de 25 e 30 mortos. “Impuseram um toque de recolher naquela noite. Me escondi debaixo da cama. Se ouviam muitos tiros, as pessoas correndo nas ruas para tentar se proteger ou carregando os parentes feridos. A população ficou acuada”, disse, antes de pedir para não ser identificado.

“Temos que ir além de prender quem matou. Se há um grupo atuando à revelia do Estado, se dando o direito de atropelar a ordem constitucional do país, armados, militares ou não, deve ser punido. Não se pode banalizar a violência. Não pode haver grupos paramilitares matando sem critério, inclusive, inocentes. Não existe pena de morte no Brasil”, defendeu Edmilson.

Além de Edmilson, assinaram a CPI os deputados Edilson Moura (PT), Carlos Bordalo (PT), Airton Faleiro (PT), Waldir Ganzer (PT), Nilma Lima (PMDB), Parsifal Pontes (PMDB) e Antônio Rocha (PMDB). O presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda (DEM), apesar de ter coordenado a recepção parlamentar dos movimentos sociais, na Sala Vip, não assinou a CPI. Ele aguarda informações da investigação policial sobre a chacina, que serão fornecidos aos deputados nesta quarta-feira, 12. O líder do governo José Megale (PSDB), adiantou a Edmilson, ainda durante a sessão, que a base aliada não era contrária à CPI, mas que confiava na apuração policial que vem sendo realizada.

O líder da bancada petista, Edilson Moura, assegurou a assinatura dos outros quatro membros da bancada. Edmilson está otimista quanto à obtenção das 14 assinaturas necessárias para a instalação da CPI e comentou a importância das investigações se realizarem com celeridade a fim de que seja concluídas antes do término da atual legislatura, em 31 de janeiro.

Manifestantes – O dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Anderson Castro, lembrou que não foi a primeira vez que Belém foi palco de chacinas, lembrando os episódios ocorridos no distrito de Icoaraci e do bairro do Tapanã, onde, na maioria das vezes, são assassinados jovens pobres e negros. Uma carta cobrando a instalação da CPI com o acompanhamento da sociedade civil, foi entregue aos deputados. O documento foiassinado por mais de 100 entidades do movimento social. “O que está por traz do genocídio que a gente viveu? A Assembleia tem o dever de averiguar isso”, defendeu Eunice Guedes, dirigente do Conselho Regional de Psicologia da 10a Região.

A vereadora de Belém, Marinor Brito, cujo partido PSOL subscreve a carta entregue aos deputados, reafirmaram a importância da Alepa apurar a existência dos grupos de extermínio. “Precisamos apurar a trajetória da vitimização da população pobre e negra de belém. Existe revolta, medo e desespero entre a população. Viemos exigir que a Alepa tire esse tema debaixo do tapete, identifique os responsáveis e os que se instrumentalizam com a estrutura do estado”, disse Marinor.

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