Quem matou “virtualmente” o ex-prefeito Pé de Boto?

O próprio ex-prefeito teria dito saber “de quem partiu o boato, mas entrega nas mãos de Deus”.

Pé de BotoNa noite do dia 29 de julho, uma nota, sem autoria, repercutiu pelo aplicativo whatsapp dando conta da morte do ex-prefeito de Igarapé-Miri, Ailson do Amaral, conhecido como Pé de Boto, um criminoso foragido da justiça e com prisão preventiva decretada pelo juiz Deomar Alexandre de Pinho Barroso.  Dizia a nota: “Acabaram de matar o ex-prefeito de Igarapé-Miri, Ailson Santa Maria do Amaral, vulgo “Pé de Boto”. Segundo polícias civis ele estava na localidade de Panaquera no interior do município e alguns seguranças ao avistarem a lancha que conduzia os policiais começaram a disparar contra os mesmo, começando um tiroteio que ocasionou o baleamento de um segurança e o ex-prefeito que veio a óbito no local …”

Com a mesma velocidade que o anúncio de sua morte foi propagado, também foi desmentido, desta vez, subscrita por um homem identificado como Carlos Baia, com tratamento digno de porta voz oficial: “Acabo de falar por telefone com o empresário e ex-prefeito (…). Me disse que iria desligar o seu celular que já não aguentava falar com tanta gente (…)”.  Estranha facilidade de contatos telefônicos para um fugitivo do seu calibre e à luz da completa incapacidade dos órgãos de segurança em efetivarem sua prisão.

Pé de Boto notabilizou-se não pelos seus feitos como gestor público, mas sobretudo, pela forma sanguinária de tratar seus desafetos locais e pela poderosa rede criminosa que construiu.

Ele é acusado de várias irregularidades no exercício de seu cargo de prefeito. A mais grave, se é que se pode assim dizer, é a de ter organizado e chefiado um grupo de extermínio na região que mandava matar, prender e torturar pessoas do município. Sua gestão também foi marcada por casos de corrupção, nepotismo e enriquecimento pessoal. Seu modo de operação incluía os “serviços” de policiais militares e civis. Fatos amplamente divulgados pela imprensa local, embora os processos ocorram em segredo de justiça.

Pé de Boto teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, em outubro de 2014, por abuso de poder econômico nas eleições de 2012. O ex-prefeito também chegou a ser preso em setembro do mesmo ano, esbanjando liberdade e poder em plena campanha eleitoral, quando o MPE e a Polícia Civil deslancharam a operação Falso Patuá, que investigou a ligação dele com 13 homicídios registrados na cidade desde o início de 2013.

Resta saber quem teria o interesse em matar “virtualmente” o ex-prefeito? Ele sabe que as ameaças contra a sua vida não são apenas virtuais. Com parte de seu grupo criminoso atrás das grades ou com mandados de prisão expedidos, ele se enfraquece. O fato é que Pé de Boto está vivo, e bem vivo. Ele é um arquivo bomba; sabe demais. Por isso, a Segurança Pública do Pará tem o dever de prendê-lo e garantir-lhe proteção.

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