Chacina de Belém|Os assassinos seguem acobertados pelo Governo do Pará

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Edmilson Rodrigues

Passado um ano da Chacina de Belém, a investigação da Polícia Civil do Estado do Pará confirmou ontem a versão popular de que a motivação das 10 mortes ocorridas em diferentes bairros da periferia, na mesma noite de quatro de novembro de 2014, foi uma vingança ao assassinato do cabo da Polícia Militar do Estado Antônio Marcus Figueiredo, o “Cabo Pet”. O PM era apontado como líder de grupo de extermínio que atuava no bairro do Guamá, sob a fachada de um negócio de segurança particular. A investigação confirmou também que as dez vítimas não tiveram nenhuma relação com o homicídio de Pet, portanto, eram inocentes.

A inédita divulgação pública dessas conclusões foi feita ontem à tarde, pelo delegado Cláudio Galeno, diretor de Polícia Metropolitana, que representou a Delegacia Geral de Polícia Civil na sessão especial da Câmara Municipal de Belém. Ele também confirmou a versão alardeada pelas famílias dos chacinados, de que não eram bandidos, pois quase a totalidade, nove vítimas, nunca teve passagem pela polícia.

O delegado explicou que dos 11 inquéritos policiais instaurados para apurar cada uma das mortes, oito já foram concluídos e remetidos à justiça. Naquela noite, Pet foi executado dentro do carro dele, que foi cercado pelos assassinos, próximo à residência dele, no bairro do Guamá. Na sequência, a população foi aterrorizada com mensagens nas redes sociais de militares conclamando os colegas de farda a darem uma “resposta à bandidagem” e anunciando toques de recolher em bairros de maior incidência de violência, como a Terra Firme e o próprio Guamá. Na madrugada, diferentes grupos de pessoas encapuzadas que se deslocavam em motocicletas mataram dez homens apenas pelo fato de estarem na via pública.

Sobre Pet, o delegado confirmou que a morte dele foi resultante do conflito entre “ex-agentes” de Segurança Pública e um grupo de traficantes que disputavam o controle da área em que o primeiro grupo prestava serviços particulares de segurança e o segundo, comercializava drogas. O cabo Pet foi acusado de matar os traficantes Adriano e Dedé, que eram irmãos, e acabou sendo eliminado em revide. O delegado também reconheceu que o negócio desenvolvido pelo militar tinha características de grupo de extermínio e também de milícia, pois Pet respondia a inquéritos por homicídio e auferia lucro na segurança particular que prestava, mas evitou classificá-la dentro dessas categorias de crimes.

Já em relação aos civis chacinados, o delegado disse que as perícias confirmaram que os projéteis retirados dos corpos saíram de armas diferentes. Ainda, que os crimes ocorreram em locais diferentes e foram cometidos por grupos diferentes. Cinco pessoas foram presas, sendo a maioria de policiais ou ex-policiais. Entretanto, quatro foram soltas e outra está foragida. Porém, as investigações, que correm em segredo de justiça até para as famílias das vítimas, ainda não foram concluídas e mais pessoas deverão ser presas. O delegado não deu previsão de quando o trabalho da Polícia Civil vai terminar. Segundo ele, uma das principais dificuldades enfrentadas foi conseguir testemunhas oculares.

Apesar do reconhecimento público da inocência e da idoneidade moral das vítimas, tão clamada pelos familiares ao longo do último ano, a justiça ainda está longe de ser concretizada. Pois os assassinos ainda estão soltos para continuar matando nos mesmos moldes, como vem ocorrendo. O governo do estado, que por meio da Delegacia Geral de Polícia Civil, só vem anunciar o resultado de parte da investigação após um ano do crime, devido à pressão dos movimentos sociais, precisa quebrar o segredo de justiça para as famílias, que não têm acesso a qualquer informação e garantir-lhes também o pleno atendimento multidisciplinar, pois, além da vulnerabilidade social, passam por males de ordem psicológica com repercussão na saúde. Inclusive, a mãe de uma das vítimas faleceu dois meses após ter o filho morto.

O meu papel, enquanto deputado federal, é cobrar agilidade nos trabalhos da Segurança Pública do Pará, do Tribunal de Justiça do Estado e do Ministério Público do Estado, o que farei por meio de ofício, bem como reforçar o pedido das famílias para ter acesso aos inquéritos policiais e ao desdobramento desses na Justiça.

 

Edmilson Rodrigues

Deputado Federal PSOL/PA

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