VERSOS PARA O XINGU

Versos para o Xingu – O Xingu pranteia

[Elise Vasconcelos Braga]

O Xingu pranteia
Canta a morte das aldeias
O sangue das árvores escorre friamente
Inunda as florestas de sofrimento
Belo monte de tormentos
Os pássaros ocupam o céu
Protestam pelo direito à vida
Os povos se reúnem preocupados
Pedem misericórdia aos desalmados
Belo monte de condenados
Eles blasfemam ordem e progresso
Nós enxergamos o regresso
“Ninguém será prejudicado!”
“Não somos alienados!”
Nós sabemos, não haverá vida
Belo monte de mentiras.

Elise Vasconcelos Braga é atriz, poetisa e dramaturga, militante do VEM (Vegetarianos em Movimento/PA)

Versos para o Xingu – Gigante das águas

[Cristina Autran]

Rio Xingu
O rio se estende
até onde o olhar
se perde
no encontro perfeito
da verde mata
com o infinito azul
O rio serpente
entre as matas
volteia
se torna estrada
para quem vai
e para quem vem
O rio brinquedo
da criançada
que se banha
na felicidade pura
em seu imenso
parque de diversões
O rio semente
que sacia
a fome da gente
com tamanha fartura
de alimentação
Que será de ti
ó gigante das águas
quando chegar a morte
e a destruição?
O que será da estrada
longa e infinda
caminho das águas
que liga tanta gente
na imensidão?
O que será do imenso
parque de diversões
das crianças
e dos adultos,
crianças também
nas águas do rio
onde vão brincar?
Com a morte do rio
que chega rasteira
e certeira
a fome virá
e a destruição dos povos,
verdadeiros donos
das terras
e das águas
Um grito se levanta
ecoa no ar
corta a floresta
atravessa a estrada
corre pelo rio
É a guerra declarada
contra o progresso de morte
é a resistência do sangue da terra
que sem sua semente
sua fonte de fecundação,
vai fenecer
A usina da morte
vai mudar tudo
transformar paisagens
envenenar o rio
ela traz em seu rastro
a fome
a peste
a guerra
e aí enterra
todos os filhos do Xingu,
que somos todos nós
Queremos a vida
das matas
dos bichos
das águas
dos povos
Queremos o Xingu
vivo
e fecundo
fonte de Vida
Salvemos o Xingu
da ganância do homem,
do progresso de morte!
Salvemos o Xingu,
Vida para todos nós!

(07/09/2011)
* Cristina Autran é enfermeira, artesã, poetisa e blogueira nas horas vagas.

Versos para o Xingu – Uma voz a suplicar

[Rosângela Emerique]
Uma voz a suplicar
Desafios a bailar
Vidas a satirizar
Um povo a encontrar
Do discurso não adiantar
Matas a derrubar
Povo a chegar
Emprego a buscar
Casa a procurar
Tristeza por vivenciar
O custo de vida aumentar.
E em nossa Terra o que falar
Uma hidrelétrica vão instalar
O Xingu a chorar
O caboclo a gritar
O desespero alcançar
A quem nada alocar
O Político enganar
E a vida nos roubar
A quem acreditar?
Nas eleições a votar?
Presidenta a aprovar
A sentença de degradar
A terra da missão devastar
Com canteiros de obras a implantar
O Xingu a desviar
Aos indígenas desrespeitar
Aos ribeirinhos martirizar
A seringueira derrubar
Paisagem xinguana a desencantar
Angélica não mais acordar
O Capelobo não mais assustar
E a Matinta Perêra, não mais assobiar
Altamira a soluçar
A lenda não mais auscultar,
A paz a procurar
E o Homem nada significar.

Rosângela Emerique
Escritora e presidente da Associação
dos escritores da Transamazônica e Xingu
Altamira – Pará, 30/08/2011

Versos para o Xingu – Um sonoro não à Belo

[Jetro Fagundes]

Antes de mais nada, esses versos
São pra dizer à Consciência Nacional
Que o verdadeiro Ordem e Progresso
Se principía no respeito ambiental
Dizer “não” à projetos impactantes
Que agridem os Filhos dessa Nação
É ser contra iniciativas degradantes
Que só trazem vantagens pra patrão
Belo Monte, projeto sujo faraônico
Irá produzir gás metano também letal
Ene vezes mais nocivo que o carbônico
Piorando mais o aquecimento global
E diante desse projeto degradativo
Povos da nossa amazônica região
Apresentam infinidades de motivos
Pra dizerem claramente sonoro “não”
Além dos desassossegos terríveis
Provocados por essa mega construção
Ela trará Impactos Irreversíveis
Nos rios, na fauna, na vegetação
Belo Monte um projeto tão perverso
Que agredindo os Movimentos Sociais
Já enfrenta toneladas de processos
Inclusive em Cortes Internacionais
Em torno do rio Xingu têm etnias
Gente linda, guerreira, de bem
Que vive sem aquela maldita mania
De tá cobiçando algo de alguém
Gente amiga dos rios, das matas
Ao contrário de uma raça chacal
Reacionária, nojenta, tecnocrata
Sanguessugas no Planalto Central
A gente do Xingu que hoje clama
Contra esse monte de complicação
Jamais se envolveu em mar de lama
do IBAMA, de cuecas, de mensalão
O próprio Xingu irmão dos ventos
Vive hoje cheio de preocupação
Vendo peixes, principal alimento
Com risco de diminuiçao, extinção
O Xingu das Comunidades Primitivas
Vê o governo negando a participação
De Lideranças Indíginas nas OITIVAS
“a obrigatória mesa de negociação”
Negando a participação de lideranças
A respeito da faraônica construção
Governo comete outra grande lambança
Contra os históricos donos desse chão
E a Estrela Vermelha que no passado
Foi tão defensora da causa ambiental
Hoje em caravana caminha lado a lado
Com empreiteiras companheiras do capital
Caminhando lado a lado com empreiteiras
Cujo compromisso é poluir, devastar
Tal Estrela comete as mesmas sujeiras
Políticas do período de regime militar
Ah, Vermelha, ex Estrela libertária
A poesia hoje tristemente te vê
Caminhando com gentalha reacionária
É uma pena que o poder cegou você
Os verdadeiros amigos do rio, da mata
Sabem que o belo monte de enganação
Longe de gerar energia limpa e barata
Irá levar super tarifa pra população
Aqui temos os maiores especialistas
Gente que entende de Constituição
E temos os nativos ambientalistas
Que sabem tudo sobre essa região
Gente que quer viver tranquilamente
No direito divino do USOCAPIÃO
E que é conhecedora perfeitamente
Dos riscos de catastrófica inundação
Que deixem o rio Xingu e suas matas
Lá no lugar devido, recanto da paz
E façam usinas onde o raio parta
Os gabinetes burocratas ministeriais
Que o IBAMA fiscalize as muitas tramas
em torno de si e dessa suja construção
e busque interferir nos rios de lamas
nas beiradas da negociata, corrupção
Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara
jetro.fagundes@gmail.com

Versos para o Xingu – Meu rio querido de pura água doce

[Sheyla Yakarepi Juruna]

“Meu Rio Querido de Pura Água Doce”

Do monte,olho o horizonte
o vejo brilhante defronte pra mim
O comtemplo e o beijo em meu pensamento
e sempre lamento
a falta de sentimento de quem quer te destruir!
Do monte o vejo,barcos navegando,
um índio pescando e banhando feliz
Eu sei que tu sentes o que a gente sente
na luta incansável pra te ver fluir…
E quando te vingas causando naufrágios,
não é pra matar,é pra se proteger!
sei que tua revolta renasce nos olhos de todos os que crêem
que há sempre um espaço pra te defender.
Meu Rio querido,de Pura Água Doce,
E ainda que fosses salgado demais!
O nosso dever é lutar por você,
Por que o teu leito sagrado é de paz!!!!

Sheyla Yakarepi Juruna é liderança Indígena da Aldeia Boa vista, Vitória do Xingu-Pa

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Uma resposta para “VERSOS PARA O XINGU

  1. A minha turma do 6º ano B1, em Porto Velho, Colégio Adventista, irá apresentar nos jogos escolares tão belo rio e seus problemas atuais. Ficamos encantados com tão belos e verdadeiros versos que vamos utilizá-los para fazermos os nossos protestos. PARABÉNS…
    Profª Leoniza

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